Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial: MPT RO/AC lança campanha com lideranças negra e indígena da Amazônia
Produção da Assessoria de Comunicação Social reúne depoimentos de Negra Mari e MuruInuBake Huni Kuin sobre representatividade, igualdade de oportunidades e enfrentamento ao racismo.
Porto Velho (RO)/Rio Branco (AC) – Neste 3 de julho, Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, o Ministério Público do Trabalho em Rondônia e Acre (MPT RO/AC) lança uma campanha audiovisual especial que reúne duas importantes lideranças amazônicas para refletir sobre representatividade, igualdade de oportunidades e o enfrentamento ao racismo.
Idealizada pela Assessoria de Comunicação Social do MPT RO/AC, a iniciativa é composta por dois vídeos com depoimentos da multiartista, produtora cultural, musicista e ativista Negra Mari, de Ariquemes (RO), e do professor, pesquisador e liderança indígena do povo Huni Kuin, MuruInuBake Huni Kuin, do Acre. A campanha busca ampliar o debate sobre a discriminação racial a partir das experiências de quem transforma, diariamente, os espaços da cultura, da educação e da produção de conhecimento.
A ação propõe uma reflexão sobre as barreiras ainda enfrentadas por pessoas negras e indígenas para acessar e permanecer em espaços historicamente marcados pela exclusão. Nas relações de trabalho, na educação, na cultura, na pesquisa e nos espaços de decisão, a discriminação racial continua produzindo desigualdades que limitam oportunidades e restringem direitos.
Mulheres negras transformando a cultura
Em seu depoimento, Negra Mari destaca a importância da presença de mulheres negras na produção cultural, nas artes e na economia criativa, ocupando espaços de liderança e protagonismo.
"Falar da importância em ter mulheres negras em espaços como o espaço da produção cultural, como o espaço do fazer artístico, da economia criativa. Mulheres liderando esses processos do fazer a arte e desenvolver cultura. Isso é muito importante não só para nós que estamos agora fazendo todo esse trabalho, mas também para provar que valeu a pena toda a luta das que vieram antes de nós e dizer para as que virão depois que é possível ocupar esse e qualquer outro espaço."
Para a artista, a ocupação desses espaços representa a continuidade de uma luta coletiva e inspira novas gerações a romperem barreiras impostas pelo racismo e pelo sexismo. Sua trajetória reafirma a cultura como território de resistência, memória, geração de renda e transformação social.
Povos indígenas produzindo ciência e conhecimento
No segundo vídeo, MuruInuBake Huni Kuin convida a sociedade a repensar os estereótipos historicamente atribuídos aos povos indígenas e ressalta a importância de sua presença nos espaços educacionais, acadêmicos e profissionais.
"Durante muito tempo, nós, população indígena, fomos vistos apenas a partir de estereótipos, como se nossa existência e nossos lugares fossem restritos apenas às aldeias ou às narrativas construídas por outras pessoas. Mas nós também somos pesquisadores, professores, profissionais de diferentes áreas, artistas, gestores. Produzimos ciência a partir de nossos conhecimentos, das nossas experiências, das nossas línguas, dos nossos territórios e da nossa forma de ver o mundo."
Sua reflexão evidencia que combater a discriminação racial também significa reconhecer os povos indígenas como protagonistas na produção de conhecimento e valorizar outras formas de construir ciência, educação e inovação, respeitando os saberes ancestrais e as diferentes maneiras de compreender o mundo.
Combater a discriminação é ampliar oportunidades
Ao reunir as vozes de uma liderança negra e de uma liderança indígena da Amazônia, o MPT RO/AC reafirma que o combate à discriminação racial exige mais do que repudiar práticas discriminatórias. É necessário promover condições efetivas para que todas as pessoas possam acessar, permanecer e crescer em espaços de educação, trabalho, cultura, pesquisa, gestão e tomada de decisão.
A campanha integra as ações de comunicação institucional voltadas à promoção dos direitos fundamentais e dialoga com a atuação da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), responsável por fomentar iniciativas de prevenção e enfrentamento à discriminação nas relações de trabalho e pela promoção da igualdade de oportunidades.
A iniciativa também se alinha às diretrizes do Programa MPT Socioambiental, que reconhece a proteção dos povos indígenas, das comunidades negras, dos povos e comunidades tradicionais e da sociobiodiversidade amazônica como parte da promoção da justiça socioambiental e da defesa do trabalho decente.
Neste Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, a mensagem do MPT RO/AC é clara: enfrentar o racismo significa reconhecer direitos, ampliar oportunidades e assegurar que pessoas negras, indígenas e de todos os grupos historicamente discriminados possam ocupar, com igualdade de condições, todos os espaços da sociedade. Porque uma Amazônia mais justa também se constrói com diversidade, representatividade e respeito às múltiplas formas de produzir cultura, conhecimento e trabalho.
Texto e dição: Marcela Bonfim
ASCOM - MPT RO-AC