28 de abril: lembrar as vítimas e enfrentar os riscos do trabalho na Amazônia

Entre recordes de acidentes e eventos extremos, MPT RO/AC alerta para a urgência de proteger a vida e a saúde dos trabalhadores

O Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado em 28 de abril, reforça a importância de ambientes laborais seguros e saudáveis e relembra as vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Instituída pela Organização Internacional do Trabalho, a data também é reconhecida no Brasil como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

Neste contexto, o Procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em Rondônia e Acre, Lucas Barbosa Brum, reforça o sentido da data com uma mensagem direta:
“Lembre-se dos mortos. Lute pelos vivos.”

Não estamos falando de guerra, de desastres ou de pandemias. Estamos falando das vítimas de um sistema de produção que, por vezes, ignora a condição inalienável do ser humano.

Hojeé um dia de lembrar com pesar, mas, acima de tudo, de reafirmar o compromisso com o futuro.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 800 mil acidentes de trabalho e cerca de 3.600 mortes. Em Rondônia, foram mais de 40 mil acidentes e 222 vidas perdidas. No Acre, 8.456 acidentes e 50 mortes. Cada número representa uma história interrompida, uma família marcada para sempre e uma ausência injustificável.

Os dados são do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, com base em registros da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT/INSS) e do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT), elaborados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Previdência Social do Brasil.

Trabalho digno é aquele que protege a vida e a saúde física, mental e social, conforme define a Organização Mundial da Saúde. A prevenção começa com o gerenciamento adequado dos riscos, conforme previsto na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), e com o cumprimento integral das normas de segurança. Equipamentos de proteção são essenciais, mas devem ser a última barreira, nunca a única.

No contexto amazônico, a crise climática intensifica os riscos e impacta diretamente o meio ambiente de trabalho. O aumento das temperaturas, as secas severas e as enchentes cada vez mais frequentes — como as registradas no Rio Madeira — tornam o ambiente laboral mais agressivo e ampliam o potencial de adoecimento e acidentes.

Esse cenário impõe novos desafios à proteção da saúde dos trabalhadores, especialmente aqueles expostos diretamente às condições ambientais, como ribeirinhos, trabalhadores da construção civil, transporte, limpeza urbana e atividades rurais.

O Ministério Público do Trabalho seguirá firme na responsabilização de quem descumpre a legislação, inclusive com a adoção de medidas judiciais cabíveis.

Porque o ser humano não é mercadoria. Proteger vidas é um dever de todos.

 

Texto e edição: Marcela Bonfim
Fonte: ASCOM – Assessoria de Comunicação Social
MPT/RO e AC

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