Semana Fashion Revolution leva ao MPT reflexões sobre moda ética, saberes tradicionais e justiça social

O evento foi organizado pelo Coletivo Yara, em parceria com o Instituto Fashion Revolution, e contou com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Rondônia e Acre, por meio das coordenadorias temáticas CONAETE, CONAFRET e CODEMAT.

RONDÔNIACom o tema “Pense Global, Aja Local: quem é o Brasil na Revolução da Moda?”, a Semana Fashion Revolution 2025 foi realizada em Porto Velho entre os dias 24 e 26 de abril, promovendo uma intensa programação gratuita com foco nos impactos sociais, ambientais e culturais da indústria da moda.

 A abertura oficial ocorreu na quinta-feira (24/04), no auditório da Procuradoria Regional do Trabalho da 14ª Região, em Porto Velho.
A abertura oficial ocorreu na quinta-feira (24/04), no auditório da Procuradoria Regional do Trabalho da 14ª Região, em Porto Velho.

O evento foi organizado pelo Coletivo Yara, em parceria com o Instituto Fashion Revolution, e contou com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Rondônia e Acre, por meio das coordenadorias temáticas CONAETE, CONAFRET e CODEMAT.

A abertura oficial ocorreu na quinta-feira (24/04), no auditório da Procuradoria Regional do Trabalho da 14ª Região, em Porto Velho. O Procurador do Trabalho Lucas Brum, vice-procurador-chefe do MPT na região e titular do 3º Ofício Geral, representou a instituição na mesa de abertura.

“O Ministério Público do Trabalho tem o compromisso de fortalecer iniciativas que promovam o trabalho digno e respeitem os direitos fundamentais dos trabalhadores e trabalhadoras, inclusive dentro da cadeia produtiva da moda. A Semana Fashion Revolution é uma oportunidade valiosa para refletirmos sobre os impactos sociais e ambientais desse setor e darmos visibilidade aos saberes tradicionais e à luta por justiça social. É essencial que o debate sobre moda também inclua quem costura, borda e vive da arte de vestir.”

 

Moda com consciência e justiça social

Inspirada no movimento global Fashion Revolution, a iniciativa busca ampliar a consciência sobre as formas de produção e consumo da moda, questionando padrões exploratórios e promovendo práticas sustentáveis, justas e inclusivas. O movimento teve início após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013 — tragédia que expôs ao mundo as condições precárias de trabalho enfrentadas por milhares de trabalhadores da indústria têxtil.

Durante os três dias de programação, serão promovidas rodas de conversa, oficinas, exibições de filmes e atividades culturais em diversos pontos da capital, como o MPT, o Sebrae Lab e o Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Durante os três dias de programação, serão promovidas rodas de conversa, oficinas, exibições de filmes e atividades culturais
Durante os três dias de programação, serão promovidas rodas de conversa, oficinas, exibições de filmes e atividades culturais

  

Destaques do primeiro dia no MPT

A programação teve início com uma apresentação sobre o movimento Fashion Revolution, que surgiu como resposta ao trágico desabamento do edifício Rana Plaza, ocorrido no dia 24 de abril de 2013, em Daca, capital de Bangladesh. O prédio de oito andares abrigava confecções de roupas e seu colapso causou a morte de 1.138 pessoas e deixou mais de 2.500 gravemente feridas — trabalhadores e trabalhadoras que, mesmo diante de alertas sobre as condições inseguras da estrutura, foram obrigados a continuar suas jornadas. O episódio expôs ao mundo as duras realidades da indústria da moda e impulsionou movimentos por uma moda mais ética e justa. Durante a apresentação, foi destacada a atuação do Coletivo Yara, que tem promovido ações de conscientização e transformação no setor têxtil.

Em seguida, foi exibido o documentário “Estou me guardando para quando o Carnaval chegar”, do diretor Marcelo Gomes, que emocionou o público ao retratar as nuances do trabalho informal e a busca por dignidade. Após a exibição, houve um bate-papo com o público, promovendo um espaço de escuta e troca de experiências.

Encerrando o dia, a roda de conversa “Vozes que Costuram” reuniu costureiras locais em um diálogo potente sobre moda, trabalho e dignidade. As participantes compartilharam suas vivências e desafios diários, ressaltando a importância do reconhecimento e da valorização do trabalho manual e artesanal.

Exibição do documentário “Estou me guardando para quando o Carnaval chegar”, do diretor Marcelo Gomes
Exibição do documentário “Estou me guardando para quando o Carnaval chegar”, do diretor Marcelo Gomes

 

Um dos maiores movimentos de moda ativista do mundo

Reconhecida como a maior campanha de ativismo na moda global, a Fashion Revolution está presente em mais de 90 países. No Brasil, a Semana Fashion Revolution ocorre desde 2014 e, em 2025, mobilizou mais de 114 representantes locais e 170 embaixadores educacionais em todo o país.

A edição deste ano destacou a valorização dos saberes tradicionais, a defesa do trabalho digno e a urgência das pautas climáticas como fundamentos essenciais para a transformação da moda brasileira.

As ações da SFR 2025 reforçaram a importância da moda como expressão cultural, identidade e ferramenta de resistência, promovendo o protagonismo de mulheres costureiras, povos tradicionais e trabalhadores invisibilizados ao longo da cadeia produtiva.

 📎 Para saber mais sobre o movimento Fashion Revolution e acessar conteúdos do evento: Acesse ao link e confira

 

Texto: José Bosco Gouveia

Edição: Marcela Bonfim

Fotografia: Thomas Pinheiro 

Fonte: ASCOM – MPT/RO e AC

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